O dia em que realmente me senti pequeno

08/03/2017

 

 

             A primeira vez que vi o mar fiquei alguns minutos contemplando a imensidão da água, e perceber aquilo tudo sumindo no horizonte me deixou refletindo sobre a grandeza do nosso planeta – nem precisei pensar no universo – apenas o tamanho da Terra já me encantava. Mal sabia eu, que anos mais tarde, teria um exemplo melhor.   

     
         Em novembro de 2016 fui ao Grand Canyon no deserto do Arizona com a curiosidade agitando minha ansiedade. Havia lido que, se amontoar todas as pessoas do mundo – sim, todas, as mais de 7 bilhões –, elas caberiam dentro do Grand Canyon. Eu já conheci lugares que pareciam grandes pelas fotos e que pessoalmente eram bem menores, ou vice-versa. Com isso, moderei para não me decepcionar com o desfiladeiro. Mas, chegando lá, meu Deus, o que era aquilo?!        


            Eu estive em uma das partes do Parque Nacional, o South Rim, de um todo de 446 km de comprimento, com aproxidamente 30 km de largura, e profundidade de mais de 1,8 km formando o Canyon. Estar ali, à beira daquele penhasco, e pensar que outros bilhões de pessoas como eu caberiam ali dentro, foi uma chave para abrir pensamentos sobre o quão pequenos somos, e o quanto muitas vezes somos domados pela prepotência de nos acharmos gigantes e menosprezar, destruir o ambiente natural em que vivemos. Este mundo não é nosso! Ele precisa ser cuidado, não apossado! E por aí iam minhas ideias.    

      
             Não demorou muito pra minha mente ultrapassar o sentimento de pequenez e levar minha alma para os significados de grandezas morais. Havia acabado de concluir o trabalho de quase dois anos para o retiro do FLOR&SER, e estava com o coração ainda nutrido das energias positivas que adquiri no encontro dias antes. Foi como se a imensidão do Grand Canyon e minha presença diante dele se tornassem uma metáfora de todas as batalhas que enfrentei, na qual a vitória se deu em entender e aceitar os grandes obstáculos. Muitas vezes recuei por medo, o medo do que considerava ser maior que minha coragem. Quantos caminhos eu relutei em seguir por achar que não daria conta. Ficava preso ao comodismo e não percebia que parado, analisando demais, eu muito perdia. Só comecei a descobrir se eu era capaz ou não, quando comecei a andar por esses trajetos “assustadores”. 


            Enquanto vislumbrava a paisagem, minha cabeça trabalhava. Ouvia músicas dos índios nativos daquela região tocando ao fundo; eles trabalham no parque e vivem do artesanato e do turismo. Coincidentemente, no FLOR&SER, tivemos contato com algumas terapias vindas do Xamanismo, e aquele som, num momento de tão profunda reflexão, me convidou a sentar, fechar os olhos e meditar. Quando eu achava que precisaria da famosa concentração para tal, automaticamente meu coração asserenou, minha mente tomada de carinho se organizou e silenciou cada pensamento. Eu, só passei a sentir gratidão. Gratidão a Deus e a tudo -  que na minha fé, acredito que Dele provém: ao universo, à vida, à natureza e aos grãos de areia que sentia no meu rosto, trazidos por um vento gelado. Estava grato também a mim mesmo – sim, a mim. Já pratiquei o auto perdão, a autoanálise e conquistei uma certa maturidade em reconhecer que, ser grato a mim, era uma espécie de prêmio a tudo que passei. Foram fases em que precisei da ajuda de terapia, de tratamentos espirituais, dos amigos, mas, principalmente, da fé em mim mesmo. De tudo que eu recebia, nada bastaria se eu não fosse atrás e acreditasse na minha capacidade. Foi então, alguns minutos depois, ao terminar minha meditação, que eu me senti pequeno. Fisicamente pequeno na imensidão daquele deserto. E, ao mesmo tempo, me senti grande! Gigante em alma! Uma grandeza que só a gratidão poderia me trazer. Um agradecimento que encontrei num lugar onde cabem todas as pessoas do mundo. Almas distintas buscando particularmente suas vitórias.

            

Diego Goar é um dos coordenadores do Flor&Ser.

(revisão: Paula Serralha)

 

 

 

 

 

 

 

 

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