Pegar o trem ou ficar na estação?

22/11/2016

Abrir mão às vezes é necessário, isso quando almejamos a paz. Hoje temos estados de paz. Mas uma paz completa está longe ainda. Há um longo caminho a percorrer. Qualquer coisa nos rouba a paz, por aí temos noção do quão pequenos somos. O externo ainda tem um poder grande sobre nós; ainda damos poder às circunstâncias. Queremos a mudança, ansiamos por ela, mas nosso temor é maior do que a vontade. É mais confortável ver o trem passar do que pegá-lo.

 

A vida é uma viagem de trem. Alguns pegam o trem e vão, percorrem quilômetros e quilômetros sem observar a paisagem. Outros pegam e, por medo, já descem na primeira estação. Já outros nem mesmo ousam pegar o trem; ficam ali, entre uma estação e outra. Observam e nada mais. Alguns, mesmo com medo, vão conhecendo gente e experienciando a vida entre um vagão e outro. Vão descobrindo quão belas são as diferenças. Descobrem que, se não tivessem ido a outros vagões, talvez nunca haveriam encontrado tanta beleza. Começam a entender que o feio não existe; o que existe é a falta de beleza no olhar.

 

Tudo é necessário, tudo é aprendizado. Cada um escolhe pegar o trem ou ficar na estação. Quem pega o trem fala de quem ficou na estação, e o que ficou na estação chama o que pegou o trem de louco.

 

Às vezes, não entendemos que cada um pega o trem necessário para seu crescimento, e ficar na estação também é crescer. Nosso olhar e nossa percepção são o que nos limita, pois um dia já estivemos na estação. Hoje estamos pegando o trem, e talvez aquele que está na estação não precise mais percorrer alguns caminhos. Ele já consegue ser paz e permanecer em paz em qualquer lugar.

 

 

 

 

 

O nosso olhar vê o externo; ele, ainda, com sua limitação, não consegue ver almas. Quem já consegue ver almas é porque já consegue sentir, e nem todos conseguem ainda. Preferem viver e ver aparências. A pior mentira é aquela que contamos a nós mesmos. Às vezes contamos a mesma mentira todos os dias, e ela acaba virando hábito e, mais tarde, vício. Os outros não nos ludibriam; somos nós que fazemos isso. Dalai Lama tem uma frase fantástica. Ele diz: “Enquanto você achar que tudo é culpa de alguém, você vai sofrer muito”.

 

Perdemo-nos de nós mesmos com muita facilidade; dizemos que gostamos de verdades, de sinceridade, mas, quando o outro age assim, nos sentimos magoados e feridos. Não estamos prontos para nossa própria verdade, quem dirá a verdade do outro. Não podemos esquecer que a honestidade cria laços de amor, e a mentira, como um nó, leva algum tempo para ser desfeita. Nó de mentira é temporário, já os laços de amor são eternos.

 

Deixar ir é deixar o amor fluir. Quando prendemos é apego.

 

O que mora atrás desse apego? A reposta é de cada um. Não conseguimos ainda amar o amor genuíno. Infelizmente, o que chamamos de amor muitas vezes tem o nome de interesse, e isso vale para todas as formas de amar.

 

Ainda somos muito matéria e pouco espírito. É só observar nosso dia a dia.

 

Há mais ou menos quinze dias, ouvimos do Prof. Mário Lúcio, no pós-encontro do Flor&Ser, uma ideia muito linda, um verdadeiro ensinamento. Ele disse mais ou menos assim: “quando estivermos evoluídos, suportaremos a felicidade do outro”.

 

Suportar a felicidade do outro é difícil para nós, principalmente quando não estamos tão bem assim.

 

Florescer exige desconstrução daquilo que achamos que somos. É respeitar o que conseguimos ser e agradecer a nosso passado. Negar o passado é se negar; é um desrespeito com o nosso presente, pois ele se deve a esse passado.

 

Não importa em qual vagão estamos; se estamos parados nele, se resolvemos desvendar outros vagões ou até mesmo se estamos “parados” na estação. O que conta mesmo é o que faremos em cada vagão e estação, pois tudo é aprendizado, basta termos olhares de ver. Não existe crescimento sem observação.

 

O trem é a metáfora da vida, e os vagões e estações são seus ciclos e suas nuances. Cada um tem o trem de que precisa, e cada um anda pelo vagão que se faz necessário; juntos, caminhando pela mesma estrada da evolução.

 

Que meu trem possa encontrar o seu para que possamos caminhar de mãos dadas em novos vagões. Mesmo se você preferir ficar em uma estação qualquer, que estejamos em paz para compartilharmos amor. Assim, estando em paz, poderemos deliciar a vida e sorrir o mesmo sorriso.

     

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